terça-feira, 21 de setembro de 2010
Excesso de magnésio na água reduz QI infantil, diz estudo
Uma concentração elevada de magnésio na água potável reduz o coeficiente intelectual (conhecido como QI) das crianças, revela estudo sobre este elemento químico, realizado por cientistas canadenses e publicado na edição desta segunda-feira da revista científica "Environmental Health Perspectives".
Uma equipe de cientistas chefiada por Maryse Bouchard, do Centro de Pesquisas Interdisciplinar sobre Biologia, Saúde e Meio Ambiente (CINBIOSE), da Universidade de Quebec, em Montreal, fez este estudo com 362 crianças da província, com idades entre 6 e 13 anos.
Os cientistas mediram a quantidade de magnésio na água corrente de suas casas, e através de uma entrevista estimou-se a quantidade de água ingerida.
Paralelamente, cada criança foi submetida a testes sobre suas capacidades cognitivas, motoras e comportamento.
Segundo Bouchard, "uma redução muito significativa do coeficiente intelectual das crianças foi observada, vinculada à presença de magnésio na água potável".
Assim, 20% das crianças em cujas casas a água apresentou níveis maiores de magnésio mostraram um coeficiente intelectual 6 pontos abaixo daquele de crianças que não consumiram água com magnésio.
Estas análises levaram em conta fatores como renda familiar, inteligência materna, nível educacional materno, bem como a presença de outros metais na água.
Alguns municípios estudados já instalaram filtros que retêm o magnésio.
Os pesquisadores propõem, ainda, que se estabeleçam normas nacionais e internacionais que limitem a presença do magnésio na água potável.
Fonte: Folha Online
domingo, 19 de setembro de 2010
Separação óleo e água ! amigável ?
Pesquisadores mineiros desenvolvem método de separação óleo e da água com ajuda da nanotecnologia e, de quebra, conseguem reaproveitar resíduo tóxico gerado pelo processamento industrial do alumínio.
Extrair petróleo do subsolo impõe muitos desafios para as empresas que se lançam nessa empreitada. Não bastassem as dificuldades para perfurar o solo em busca do óleo, é necessário separá-lo da água com a qual ele está frequentemente misturado nos poços subterrâneos. Sem essa separação, o petróleo não pode ser refinado e aproveitado na fabricação de combustível e outros derivados.
Atualmente, a solução usada para separar óleo e água é o uso de desemulsificantes – aditivos químicos responsáveis pela quebra de emulsões (termo que os químicos usam para se referir à mistura de dois líquidos como o óleo e a água). No entanto, essa é uma estratégia de alcance limitado, pois resíduos dos desemulsificantes permanecem junto do petróleo após a separação e comprometem sua qualidade.
Os pesquisadores mineiros desenvolveram um material em escala nanométrica para separar óleo e água“Para a produção de derivados, o petróleo não pode estar contaminado com desemulsificantes. Por isso é preciso um tratamento secundário para a retirada dessa substância e para encaminhamento para as refinarias. Esse processo gasta energia, tempo e dinheiro”, explica a química Aline Almeida da Silva Oliveira, aluna de doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante de um grupo de pesquisa que propôs um método para otimizar esse processo.
Lama vermelha e nanotecnologia
Para separar óleo e água, os pesquisadores mineiros desenvolveram um material em escala nanométrica chamado por eles de nano-amphil, usado como desemulsificante. A técnica recorre ainda aos princípios do magnetismo para separar óleo e água. Ao tornar o material magnético, o grupo tornou possível que um campo magnético pudesse removê-lo em seguida.
Para isso, a equipe teve a ideia de usar resíduos de bauxita resultantes do processamento industrial do alumínio – um material tóxico conhecido como lama vermelha. “Após a secagem da lama vermelha, é feita uma reação desse rejeito com etanol que ajuda a tornar o material magnético”, diz Oliveira. A quebra da emulsão acontece em um reator desenvolvido pelo grupo, no qual um campo magnético entra em ação e promove a separação.
O processo todo leva cerca de dois minutos e não depende da temperatura para funcionar. “Isso representa um ganho de tempo considerável no processo produtivo do petróleo, já que a desemulsificação pelo método tradicional leva mais tempo e necessita de temperaturas próximas de 75°C”, compara a química, que ajudou na pesquisa, produção, caracterização e aplicação dos materiais utilizados na pesquisa.
Ainda não havia sido encontrada uma forma de se reaproveitar a lama vermelhaAlém do ganho de tempo, os benefícios ambientais são outra vantagem do novo método. “A lama vermelha é um rejeito que causa grandes impactos ambientais, por conta de seu pH básico e da presença de óxidos metálicos que contaminam rios, peixes e águas subterrâneas”, explica Aline.
Até agora, ainda não havia sido encontrada uma forma de se reaproveitar esse rejeito, que costumava ser direcionado a locais específicos para a disposição desse rejeito, que é produzido em grandes quantidades. “Estima-se que, para cada tonelada de alumina produzida, pelo menos uma tonelada de lama vermelha seja gerada”, conta Oliveira.
A química afirma ainda que a técnica também poderá ser útil a indústrias de biodiesel, óleos vegetais e transportes. “Qualquer empresa que dependa de desemulsificantes poderá se beneficiar com essa técnica”, garante.
Reconhecimento
O trabalho de pesquisa, que começou em 2005, e já rendeu três patentes segue colhendo bons resultados. O grupo da UFMG, liderado pelo Aluir Dias Purceno, conquistou prêmio do Idea to Product Latin America 2010 realizada pela Fundação Getúlio Vargas, com pesquisadores de universidades da América Latina para incentivar inovações tecnológicas.
A vitória garante o passaporte para a versão mundial da competição, realizada pela Universidade do Texas (EUA), e que deverá reunir grupos de universidades de todo o mundo na disputa pelo prêmio de melhor projeto de inovação tecnológica, em novembro deste ano.
Debora Antunes
Ciência Hoje On-line
Cientistas criam tecido que é borrifado no corpo como um aerossol
Um tecido que pode ser borrifado na pele ou em outras superfícies para fazer roupas, curativos médicos e até cortinas e estofados foi apresentado nesta quinta-feira.
Clique aqui para ver vídeo sobre a invenção
O material, desenvolvido por um acadêmico e estilista espanhol, Manel Torres, em parceria com Paul Luckan, especialista em tecnologia de partículas do Imperial College London, foi batizado de Fabrican Spray-on.
Uma vez aplicado na pele com tecnologia aerossol, ele seca instantaneamente, não forma costuras, pode ser lavado e vestido novamente.
O tecido é composto de fibras pequenas, substâncias conhecidas como polímeros --fazem com que as fibras se unam-- e um solvente que permite que ele seja aplicado em forma líquida.
Após a aplicação, que pode ser feita com lata de aerossol ou um spray de alta pressão, o solvente se evapora.
A textura pode ser alterada de acordo com o tipo de fibra usada (lã, linho ou acrílico) e dependendo da forma de aplicação.
MATERIAL FUTURÍSTICO
"Quando comecei este projeto, queria criar um material futurístico, sem costuras, rápido e confortável", disse Torres. "Na minha busca por produzir este tipo de tecido, terminei voltando aos princípios de tecidos mais antigos como o feltro, que também é produzido a partir de fibras e um modo de uni-las sem costurá-las ou tecê-las."
"Como artista, passei meu tempo sonhando com criações únicas, mas como cientista, tenho que me focar em fazer coisas reproduzíveis. Quero mostrar como a ciência e a tecnologia podem ajudar estilistas a criar novos materiais." A moda, no entanto, é apenas um dos usos para a tecnologia.
Torres criou uma empresa, a Fabrican Ltda, com o professor Luckham, para explorar outras aplicações, como bandagens médicas, lenços umedecidos, perfumadores de ar e estofados para móveis e carros.
"A aplicação do tecido borrifado na moda é uma excelente forma de anunciar o conceito, mas também queremos trabalhar com novas aplicações nas indústrias médica, de transporte e química", disse Luckham.
"Por exemplo, o tecido pode ser produzido e mantido em uma lata de aerossol esterilizada, que poderia ser perfeita para fazer curativos borrifados sem aplicar nenhuma pressão, no caso de queimaduras, ou para aplicar remédios diretamente sobre um ferimento", completou.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/800281-cientistas-criam-tecido-que-e-borrifado-no-corpo-como-um-aerossol.shtml
Clique aqui para ver vídeo sobre a invenção
O material, desenvolvido por um acadêmico e estilista espanhol, Manel Torres, em parceria com Paul Luckan, especialista em tecnologia de partículas do Imperial College London, foi batizado de Fabrican Spray-on.
Uma vez aplicado na pele com tecnologia aerossol, ele seca instantaneamente, não forma costuras, pode ser lavado e vestido novamente.
O tecido é composto de fibras pequenas, substâncias conhecidas como polímeros --fazem com que as fibras se unam-- e um solvente que permite que ele seja aplicado em forma líquida.
Após a aplicação, que pode ser feita com lata de aerossol ou um spray de alta pressão, o solvente se evapora.
A textura pode ser alterada de acordo com o tipo de fibra usada (lã, linho ou acrílico) e dependendo da forma de aplicação.
MATERIAL FUTURÍSTICO
"Quando comecei este projeto, queria criar um material futurístico, sem costuras, rápido e confortável", disse Torres. "Na minha busca por produzir este tipo de tecido, terminei voltando aos princípios de tecidos mais antigos como o feltro, que também é produzido a partir de fibras e um modo de uni-las sem costurá-las ou tecê-las."
"Como artista, passei meu tempo sonhando com criações únicas, mas como cientista, tenho que me focar em fazer coisas reproduzíveis. Quero mostrar como a ciência e a tecnologia podem ajudar estilistas a criar novos materiais." A moda, no entanto, é apenas um dos usos para a tecnologia.
Torres criou uma empresa, a Fabrican Ltda, com o professor Luckham, para explorar outras aplicações, como bandagens médicas, lenços umedecidos, perfumadores de ar e estofados para móveis e carros.
"A aplicação do tecido borrifado na moda é uma excelente forma de anunciar o conceito, mas também queremos trabalhar com novas aplicações nas indústrias médica, de transporte e química", disse Luckham.
"Por exemplo, o tecido pode ser produzido e mantido em uma lata de aerossol esterilizada, que poderia ser perfeita para fazer curativos borrifados sem aplicar nenhuma pressão, no caso de queimaduras, ou para aplicar remédios diretamente sobre um ferimento", completou.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/800281-cientistas-criam-tecido-que-e-borrifado-no-corpo-como-um-aerossol.shtml
sábado, 18 de setembro de 2010
Chemicalize.org - busca de química
O Chemicalize.org é uma máquina de procura de informações especializada em química.
Para realizar a procura basta escrever o nome da molécula (em inglês).
Vejamos um exemplo:
O naftaleno (naphthalene). No exato momento em que você termina de digitar o nome, o sistema já apresenta a estrutura logo baixo.
Basta então clicar no botão ´Chemicalize´ e você terá acesso a um extenso número de informações sobre o composto. (clique em open all para ver todas informações)
http://www.chemicalize.org/?mol=naphthalene
Ao inserir um link de uma página da internet no campo de buscas, o Chemicalize.org revela os nomes das substâncias em destaque, com exibição das estruturas das moléculas ao passar o mouse sobre.
Um teste feito com a página http://en.wikipedia.org/wiki/Ester, resulta em http://www.chemicalize.org/?q=http://en.wikipedia.org/wiki/Ester
Se você não lembra ao certo o nome da molécula em inglês, basta clicar em ´Draw Structure´ e então desenhar a estrutura para que o sistema faça a busca das informações do composto representado.
Veja em
http://www.chemicalize.org/
Para realizar a procura basta escrever o nome da molécula (em inglês).
Vejamos um exemplo:
O naftaleno (naphthalene). No exato momento em que você termina de digitar o nome, o sistema já apresenta a estrutura logo baixo.
Basta então clicar no botão ´Chemicalize´ e você terá acesso a um extenso número de informações sobre o composto. (clique em open all para ver todas informações)
http://www.chemicalize.org/?mol=naphthalene
Ao inserir um link de uma página da internet no campo de buscas, o Chemicalize.org revela os nomes das substâncias em destaque, com exibição das estruturas das moléculas ao passar o mouse sobre.
Um teste feito com a página http://en.wikipedia.org/wiki/Ester, resulta em http://www.chemicalize.org/?q=http://en.wikipedia.org/wiki/Ester
Se você não lembra ao certo o nome da molécula em inglês, basta clicar em ´Draw Structure´ e então desenhar a estrutura para que o sistema faça a busca das informações do composto representado.
Veja em
http://www.chemicalize.org/
Água Pesada ! D2O
O óxido de deutério, que é também chamado de água pesada ou água deuterada, é uma molécula que contém dois átomos de deutério e um de oxigênio (D2O), em uma forma muito semelhante à da água (H2O).
Na água pesada o deutério é um isótopo do hidrogênio, e possui um nêutron e um próton em seu núcleo. Sendo que o hidrogênio contém um núcleo com apenas um próton. E os dois apresentam um elétron.
Este nêutron nêutron a mais no deutério resulta em um diferença no comportamento das moléculas de água pesada, se comparadas à água ´comum´.
Para uma comparação entre D2O e H2O, a equipe do Periodic Videos fez gelo com a água pesada e a água normal, e verificou se o gelo feito com água pesada flutuaria ou não em água comum.
Veja o resultado desta experiência e mais informações no vídeo abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=hUVzb0fzHsk&feature=player_embedded
Fonte:
http://www.emsintese.com.br/2010/agua-pesada/
Na água pesada o deutério é um isótopo do hidrogênio, e possui um nêutron e um próton em seu núcleo. Sendo que o hidrogênio contém um núcleo com apenas um próton. E os dois apresentam um elétron.
Este nêutron nêutron a mais no deutério resulta em um diferença no comportamento das moléculas de água pesada, se comparadas à água ´comum´.
Para uma comparação entre D2O e H2O, a equipe do Periodic Videos fez gelo com a água pesada e a água normal, e verificou se o gelo feito com água pesada flutuaria ou não em água comum.
Veja o resultado desta experiência e mais informações no vídeo abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=hUVzb0fzHsk&feature=player_embedded
Fonte:
http://www.emsintese.com.br/2010/agua-pesada/
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Identificando Cocaína com recursos eletrolíticos
Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP resultou em um método preliminar para identificar cocaína. A técnica utiliza recursos eletroquímicos e será útil na área de perícia policial. “O objetivo é oferecer uma metodologia mais específica para o teste preliminar de cocaína apreendida pela polícia, já que o teste atual é colorimétrico e oferece uma grande gama de resultados falso positivos”, diz a química Natália Biziak de Figueiredo, autora do trabalho.
Natália explica que o teste colorimétrico usa uma solução da substância química tiocianato de cobalto, a qual, ao reagir com a cocaína, a torna azul. O problema desse método é que ele também torna outras substâncias azuis, como a procaína, a heroína e a lidocaína, comumente utilizadas na composição da cocaína como adulterantes.
Desse modo, a pesquisa de Natália procurou providenciar uma forma mais eficaz de distinguir a cocaína de outras substâncias. Orientada pelo professor Marcelo Firmino de Oliveira, do Departamento de Química da FFCLRP, Natália criou, em sua dissertação de mestrado, dois eletrodos que funcionam em uma célula eletroquímica. Nela se mede o potencial elétrico para uma certa substância química. “Uma das vantagens desse método é que cada substância gera um potencial específico, facilitando a distinção da cocaína”, comenta.
Além disso, a medição do potencial independe da quantidade de cocaína e de outras substâncias que estejam misturadas com ela. “No método colorimétrico, muitas vezes não se consegue prender quem mistura a cocaína com outros materiais, como a própria farinha de trigo. Há casos em que o amido mascara a droga e se tiver pouca cocaína, o amido pode camuflá-la”, diz a pesquisadora.
Vantagens
Natália também destaca que o método criado no estudo se mostrou tão eficiente quanto a técnica mais avançada utilizada pela polícia, a cromatografia líquida. Esta técnica é usada em testes finais e envolve uma série de etapas de preparação da amostra.
De acordo com a química, o problema deste processo é que ele é complexo e caro, pois exige grandes volumes de solventes. “A cromatografia pode chegar a usar 4 litros (L), enquanto o método eletroquímico usa em torno de 4ml (mililitros)”, e acrescenta: “A técnica eletroquímica é de mais baixo custo, já que utiliza menos solventes, é mais simples de ser executada e obtém o resultado de forma mais rápida, chegando a ser 5 vezes mais rápido que a cromatografia líquida”.
Apesar de sua eficiência, o método ainda não está completo, pois ainda é preciso realizar mais testes de validação com a nova técnica. “Serão necessários mais estudos para ver se outros fatores como temperatura e pH [medida química que indica se uma solução é ácida, neutra ou básica] interferem nos resultados. A ideia é que seja usado futuramente pela polícia científica”, relata Natália.
Célula eletroquímica
Para o funcionamento do método, são usados três eletrodos, um solvente para diluir a cocaína ou outra substância em estudo (como a lidocaína e a procaína) e uma célula eletroquímica. Dos três eletrodos, um interage diretamente com a cocaína e os outros dois completam o circuito da célula eletroquímica. Houve a composição de dois eletrodos que trabalham com a droga, sendo um deles recoberto por um filme de hexacianoferrato de cobalto e o outro, modificado com um Salcn de níquel. Tudo no final é ligado a um equipamento que mede o potencial elétrico na qual a corrente é gerada.
Na célula, a cocaína sofre uma reação eletroquímica com o eletrodo de trabalho, gerando uma corrente elétrica. Essa corrente é medida pelo aparelho, que identifica o potencial elétrico da cocaína e de outras substâncias que participaram da reação.
Retirado de :
http://www.usp.br/agen/?p=31459
Natália explica que o teste colorimétrico usa uma solução da substância química tiocianato de cobalto, a qual, ao reagir com a cocaína, a torna azul. O problema desse método é que ele também torna outras substâncias azuis, como a procaína, a heroína e a lidocaína, comumente utilizadas na composição da cocaína como adulterantes.
Desse modo, a pesquisa de Natália procurou providenciar uma forma mais eficaz de distinguir a cocaína de outras substâncias. Orientada pelo professor Marcelo Firmino de Oliveira, do Departamento de Química da FFCLRP, Natália criou, em sua dissertação de mestrado, dois eletrodos que funcionam em uma célula eletroquímica. Nela se mede o potencial elétrico para uma certa substância química. “Uma das vantagens desse método é que cada substância gera um potencial específico, facilitando a distinção da cocaína”, comenta.
Além disso, a medição do potencial independe da quantidade de cocaína e de outras substâncias que estejam misturadas com ela. “No método colorimétrico, muitas vezes não se consegue prender quem mistura a cocaína com outros materiais, como a própria farinha de trigo. Há casos em que o amido mascara a droga e se tiver pouca cocaína, o amido pode camuflá-la”, diz a pesquisadora.
Vantagens
Natália também destaca que o método criado no estudo se mostrou tão eficiente quanto a técnica mais avançada utilizada pela polícia, a cromatografia líquida. Esta técnica é usada em testes finais e envolve uma série de etapas de preparação da amostra.
De acordo com a química, o problema deste processo é que ele é complexo e caro, pois exige grandes volumes de solventes. “A cromatografia pode chegar a usar 4 litros (L), enquanto o método eletroquímico usa em torno de 4ml (mililitros)”, e acrescenta: “A técnica eletroquímica é de mais baixo custo, já que utiliza menos solventes, é mais simples de ser executada e obtém o resultado de forma mais rápida, chegando a ser 5 vezes mais rápido que a cromatografia líquida”.
Apesar de sua eficiência, o método ainda não está completo, pois ainda é preciso realizar mais testes de validação com a nova técnica. “Serão necessários mais estudos para ver se outros fatores como temperatura e pH [medida química que indica se uma solução é ácida, neutra ou básica] interferem nos resultados. A ideia é que seja usado futuramente pela polícia científica”, relata Natália.
Célula eletroquímica
Para o funcionamento do método, são usados três eletrodos, um solvente para diluir a cocaína ou outra substância em estudo (como a lidocaína e a procaína) e uma célula eletroquímica. Dos três eletrodos, um interage diretamente com a cocaína e os outros dois completam o circuito da célula eletroquímica. Houve a composição de dois eletrodos que trabalham com a droga, sendo um deles recoberto por um filme de hexacianoferrato de cobalto e o outro, modificado com um Salcn de níquel. Tudo no final é ligado a um equipamento que mede o potencial elétrico na qual a corrente é gerada.
Na célula, a cocaína sofre uma reação eletroquímica com o eletrodo de trabalho, gerando uma corrente elétrica. Essa corrente é medida pelo aparelho, que identifica o potencial elétrico da cocaína e de outras substâncias que participaram da reação.
Retirado de :
http://www.usp.br/agen/?p=31459
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Plástico Vegetal
Um plástico biodegradável feito a partir do caroço da manga mostrou em testes de laboratório ter potencial para ser empregado em finas membranas utilizadas em processos para purificação de água, tratamento de efluentes, sessões de hemodiálise e na liberação controlada de fármacos. A pesquisa que deu origem ao novo material foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais, e da Universidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. O caroço é a camada dura externa da semente da manga, composta principalmente de fibras, que recobre o embrião. Celulose, hemicelulose e lignina, componentes que formam as paredes celulares das plantas, são encontradas em grande quantidade nessa porção da fruta. “No processo que desenvolvemos, extraímos a celulose do caroço da manga e, a partir dela, produzimos o acetato para fabricação dos plásticos usados nas membranas”, diz o professor Guimes Rodrigues Filho, coordenador do projeto desenvolvido no Laboratório de Reciclagem de Polímeros do Instituto de Química da UFU.
A ideia de aproveitar essa parte desprezada da fruta surgiu quando os pesquisadores constataram que pelo menos 2 mil toneladas de caroços de manga são descartadas a cada safra pela indústria de sucos só na região do Triângulo Mineiro. Como no Brasil a produção de manga atinge cerca de 1,3 milhão de toneladas por ano – utilizadas principalmente como suco –, a quantidade desse resíduo que sobra fica, na média, em torno de 480 mil toneladas por ano. “As sementes correspondem a algo entre 30% e 45% do peso da manga, dependendo da variedade”, diz Rodrigues Filho. Essa montanha de resíduos normalmente tem como destino final a queima ou o descarte no lixo. Além do caroço da manga, os pesquisadores já produziram acetato de celulose a partir de jornais, bagaço da cana-de-açúcar e agora estão trabalhando com a palha de milho. As membranas usadas atualmente nos processos de filtragem são fabricadas, de modo geral, a partir da celulose obtida da polpa de madeira.
Peneira molecular - Em um artigo publicado em maio na revista científica Carbohydrate Polymers os pesquisadores compararam o desempenho de membranas de acetato de celulose feitas com jornais e com caroços de manga da variedade Tommy Atkins – de coloração avermelhada, polpa doce e bastante resistente – em processos de tratamento e purificação de água chamados de osmose reversa. Nesses processos, a água é separada de seus contaminantes – como sólidos dissolvidos, sólidos suspensos, bactérias e matéria orgânica – por meio de uma membrana semipermeável. Essa membrana se comporta como uma peneira molecular, rejeitando seletivamente quase todas as moléculas dissolvidas e permitindo somente a passagem da água pura.
Como são muitas as aplicações para esse material filtrante, antes de produzir as películas é preciso saber em que tipo de aplicação elas serão usadas. “A porosidade depende do fluxo maior ou menor de líquidos que irão receber”, diz o coordenador do projeto. O controle dos poros é feito com a adição de alguns sais na mistura, como o perclorato de magnésio. Essa substância funciona como um agente indutor na formação de poros na pele da membrana, auxiliando nos processos de filtração. Na avaliação estrutural realizada com o microscópio eletrônico de varredura tanto a membrana feita a partir do caroço da manga como a de jornal apresentaram basicamente o mesmo padrão. No entanto, a subestrutura porosa é mais densa nas películas de acetato de celulose obtidas do caroço da fruta, em função da maior massa molecular do material, resultando em melhor desempenho. “Mesmo quando submetida à pressão em processos de separação, a membrana não se rompeu”, diz Guimes.
Os pesquisadores testaram, além de diversos materiais, vários processos para produzir as membranas de acetato de celulose. Um dos métodos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa está em processo de patenteamento no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A empresa Órbita, do Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras da universidade mineira, será a responsável por parcerias com outras empresas e pela transferência de tecnologia.
Embalagens biodegradáveis - A companhia foi criada pelos pesquisadores para poder participar no desenvolvimento de um projeto aprovado em 2008 por meio de um convênio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que teve como base também a utilização do caroço de manga misturado ao bagaço de cana para produção de tubetes biodegradáveis – embalagens onde são colocadas as mudas de plantas cultivadas em viveiros.
Os pesquisadores trabalham agora na formulação final para moldagem dos tubetes. Além disso, fazem estudos de biodegradação do material na Universidade de Caxias do Sul. Os recipientes encontrados no mercado, feitos de produtos derivados do petróleo como PVC e polipropileno, levam cerca de 150 anos para se decompor na natureza. Foi a partir dos resultados obtidos nesse projeto que os pesquisadores decidiram usar os mesmos resíduos vegetais para a produção de membranas, uma linha de pesquisa que já era conduzida no laboratório da universidade mineira desde 1996. Mas em vez de usar uma base composta da mistura da celulose obtida do caroço de manga e da cana, eles trabalharam com cada resíduo separadamente e agregaram outros materiais, como jornais.
Retirado de: Revista Fapesp http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=4211&bd=1&pg=1&lg=
> Artigo científico
Meireles, C.S.; Rodrigues Filho, G. et al. Characterization of asymmetric membranes of cellulose acetate from biomass: Newspaper and mango seed. Carbohydrate Polymers. v. 80, n. 3, p. 954-61. mai. 2010.
A ideia de aproveitar essa parte desprezada da fruta surgiu quando os pesquisadores constataram que pelo menos 2 mil toneladas de caroços de manga são descartadas a cada safra pela indústria de sucos só na região do Triângulo Mineiro. Como no Brasil a produção de manga atinge cerca de 1,3 milhão de toneladas por ano – utilizadas principalmente como suco –, a quantidade desse resíduo que sobra fica, na média, em torno de 480 mil toneladas por ano. “As sementes correspondem a algo entre 30% e 45% do peso da manga, dependendo da variedade”, diz Rodrigues Filho. Essa montanha de resíduos normalmente tem como destino final a queima ou o descarte no lixo. Além do caroço da manga, os pesquisadores já produziram acetato de celulose a partir de jornais, bagaço da cana-de-açúcar e agora estão trabalhando com a palha de milho. As membranas usadas atualmente nos processos de filtragem são fabricadas, de modo geral, a partir da celulose obtida da polpa de madeira.
Peneira molecular - Em um artigo publicado em maio na revista científica Carbohydrate Polymers os pesquisadores compararam o desempenho de membranas de acetato de celulose feitas com jornais e com caroços de manga da variedade Tommy Atkins – de coloração avermelhada, polpa doce e bastante resistente – em processos de tratamento e purificação de água chamados de osmose reversa. Nesses processos, a água é separada de seus contaminantes – como sólidos dissolvidos, sólidos suspensos, bactérias e matéria orgânica – por meio de uma membrana semipermeável. Essa membrana se comporta como uma peneira molecular, rejeitando seletivamente quase todas as moléculas dissolvidas e permitindo somente a passagem da água pura.
Como são muitas as aplicações para esse material filtrante, antes de produzir as películas é preciso saber em que tipo de aplicação elas serão usadas. “A porosidade depende do fluxo maior ou menor de líquidos que irão receber”, diz o coordenador do projeto. O controle dos poros é feito com a adição de alguns sais na mistura, como o perclorato de magnésio. Essa substância funciona como um agente indutor na formação de poros na pele da membrana, auxiliando nos processos de filtração. Na avaliação estrutural realizada com o microscópio eletrônico de varredura tanto a membrana feita a partir do caroço da manga como a de jornal apresentaram basicamente o mesmo padrão. No entanto, a subestrutura porosa é mais densa nas películas de acetato de celulose obtidas do caroço da fruta, em função da maior massa molecular do material, resultando em melhor desempenho. “Mesmo quando submetida à pressão em processos de separação, a membrana não se rompeu”, diz Guimes.
Os pesquisadores testaram, além de diversos materiais, vários processos para produzir as membranas de acetato de celulose. Um dos métodos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa está em processo de patenteamento no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A empresa Órbita, do Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras da universidade mineira, será a responsável por parcerias com outras empresas e pela transferência de tecnologia.
Embalagens biodegradáveis - A companhia foi criada pelos pesquisadores para poder participar no desenvolvimento de um projeto aprovado em 2008 por meio de um convênio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que teve como base também a utilização do caroço de manga misturado ao bagaço de cana para produção de tubetes biodegradáveis – embalagens onde são colocadas as mudas de plantas cultivadas em viveiros.
Os pesquisadores trabalham agora na formulação final para moldagem dos tubetes. Além disso, fazem estudos de biodegradação do material na Universidade de Caxias do Sul. Os recipientes encontrados no mercado, feitos de produtos derivados do petróleo como PVC e polipropileno, levam cerca de 150 anos para se decompor na natureza. Foi a partir dos resultados obtidos nesse projeto que os pesquisadores decidiram usar os mesmos resíduos vegetais para a produção de membranas, uma linha de pesquisa que já era conduzida no laboratório da universidade mineira desde 1996. Mas em vez de usar uma base composta da mistura da celulose obtida do caroço de manga e da cana, eles trabalharam com cada resíduo separadamente e agregaram outros materiais, como jornais.
Retirado de: Revista Fapesp http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=4211&bd=1&pg=1&lg=
> Artigo científico
Meireles, C.S.; Rodrigues Filho, G. et al. Characterization of asymmetric membranes of cellulose acetate from biomass: Newspaper and mango seed. Carbohydrate Polymers. v. 80, n. 3, p. 954-61. mai. 2010.
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